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quinta-feira, 12 de julho de 2012

Micro e pequenas empresas e a sustentabilidade









As microempresas e empresas de pequeno porte, em conjunto com as médias empresas, possuem participação econômica e social significativa no Brasil, bem como na maior parte dos países. 
As principais contribuições das Microempresas e Pequenas Empresas (MPEs) são a criação de novos empregos, a introdução de inovações, o estímulo a competição econômica, o auxílio às grandes empresas com a distribuição e fornecimento de bens e serviços e, a produção eficiente de bens e serviços (LONGENENECKER et al, 2007). Pode-se citar, além do impacto econômico, o beneficio social dos pequenos empreendimentos:



“Empreendedores montam negócios para realizar sonhos – deles próprios, de suas famílias, de seus empregados ou da comunidade onde vivem. Quando escrevemos sobre pequenas empresas, portanto, estamos escrevendo sobre indivíduos cuja vida empresarial exerce um impacto sobre um grande número de pessoas” (Longenenecker et al, 2007 pág. IX)


Porém, os impactos ambientais oriundos destas empresas são pouco estudados e, mesmo que suas ações não possam ser comparadas em magnitude às das grandes empresas, quando em conjunto as externalidades negativas que podem causar à comunidade não devem ser negligenciadas.

Hillary (2004) cita que apesar de constituir a grande maioria das empresas na Europa, os impactos ambientais das empresas de pequeno porte são desconhecidos a nível local e regional, mas há dados de que poderiam em conjunto contribuir com 70% da poluição industrial dessa região.
Conforme a publicação Industry and Environment, UNEP (2003), na Índia estima-se que as empresas de pequeno porte em conjunto com as médias, produzem mais de 65% de resíduos industriais. No Canadá e no Reino Unido as emissões tóxicas a partir de instalações de indústrias de pequeno porte aumentaram 32% entre 1998 e 2000, apesar de poluição industrial global ter diminuído 4%. A ONG canadense The Foundation for International Training, em um estudo recente na Província de Jiangsu, China, levantou que 67,7% das empresas de pequeno porte estavam produzindo intensa carga de poluição e 28,5% causavam uma poluição moderada (UNEP, 2003).

Segundo estudo recente do Sebrae a maioria dos pequenos negócios praticam ações de sustentabilidade. Essa foi a principal conclusão de uma sondagem realizada pelo Sebrae, no começo deste ano, com quatro mil micro e pequenas empresas (MPE) de todo o país, dos setores de comércio e serviços (50%), indústria e construção civil (46%) e agronegócios (4%). 
O objetivo era medir a percepção do empresariado sobre o tema sustentabilidade. A sondagem mostrou que pequenos negócios já adotam medidas importantes, como redução do consumo de água (80,6%) e de energia (81,7%), coleta seletiva de lixo (70,2%) e descarte adequado de resíduos tóxicos (65,6%), a exemplo de solventes e cartuchos de tinta. 

“Esse conjunto de informações indica um enorme potencial para trabalhar a questão junto ao empresariado e para que ações de sustentabilidade sejam incorporadas. A proposta é mostrar que não há contradição entre o mundo dos negócios e a questão ambiental. Pelo contrário, a prática de ações sustentáveis é um importante diferencial no mercado. As MPE não podem ficar de fora do debate. Ignorar essa agenda significa menos competitividade", reforçou Luiz Barretto.

O diretor-técnico do Sebrae, Carlos Alberto dos Santos, apresentou três casos de negócios de diferentes segmentos que apostaram nesse diferencial. A lavanderia Prillav (MT), a Pousada do Sol (SE) e a Cachaçaria Extrema (RN) investiram, respectivamente, R$ 150 mil, R$ 92 mil e R$ 230 mil em adaptações nas empresas para implantar ações sustentáveis. Com retorno médio de dois anos, os empreendimentos economizaram energia elétrica, água, embalagens e outros insumos.

"Existem sete mil lavanderias, 22 mil pousadas e 40 mil cachaçarias registradas no país. Se cada um desses empreendimentos adotarem mudanças, isso dá uma ideia do impacto que pequenas medidas podem ter quando adotadas em grande escala. O desafio do Sebrae é massificar essas iniciativas que são viáveis economicamente. As micro e pequenas empresas têm grandes possibilidades para inovar e as que não fizerem isso terão dificuldades de sobrevivência", advertiu Carlos Alberto dos Santos.

Gosto muito dessa fala de um entrevistado de um trabalho acadêmico que fiz sobre gestão ambiental e pequenas empresas do setor metalúrgico de Piracicaba, pois é uma visão bastante rica da percepção dos benefícios da gestão ambiental para empresas de menor porte:
     
      “Diretamente, a própria exigência dos clientes ‘ou você tem a certificação ou você deixa de ser nosso fornecedor’ significa mantermos-nos competitivos. Então obrigatoriamente teria [benefícios]. Eu vejo que do ponto de vista econômico, olhando sob o ponto de vista de alguém que só pensa em retirar sem pensar na comunidade, vamos fazer esse raciocínio: é mais barato você produzir agredindo o meio ambiente, seria muito mais fácil, seria mais econômico. Seria isso se você tem uma visão egoísta, não tem nenhuma preocupação com seu futuro ou com as próximas gerações. Mas se nos pensamos que isso é um negócio que tem que continuar, a idéia de uma empresa é se perpetuar, não é uma sociedade para fins específicos que vai morrer ao fim do período, e sim que ela se perpetue. Então, nós vivemos nessa cidade e precisamos fazer a nossa parte. E sabemos que, até para a gente ter a água amanhã, se nós não cuidarmos disso aqui, se nós poluirmos o lençol freático como é que vamos ter água boa amanhã para beber? Como é que nossos colaboradores, se não são saudáveis, como é que vai ter produtividade para ser competitivo? Então, volta a questão não é só consciência ambiental, mas é a consciência do longo prazo. Você quer continuar vivendo? Quer continuar existindo como empresa? Quer continuar sendo competitivo?
Se nós tivermos uma sociedade ruim qual vai ser a produtividade dos nossos colaboradores? Qual vai ser o preço dos nossos produtos?
Então, em uma primeira análise é mais barato jogar fora que você não gasta nada, só que no longo prazo vai sair mais caro. Ao longo prazo morre as condições.
Tem resíduos que poderiam ser transformados em valor comercial, incentivo para os funcionários obterem melhorias.
As grandes empresas já têm ações; o que precisa é decretar essa consciência nas médias e pequenas empresas. É um trabalho aí de muita paciência. Porque ainda existe uma idéia de que isso é custo. Tem que mostrar que o custo é inóspito, ou se bem feito pode até gerar lucro, tem que mostrar isso.”


Veja o estudo do Sebrae em: 

O que pensam as micro empresas sobre sustentabilidade

Bibliografia: 


HILLARY, R. Environmental management systems and the smaller enterprise. Journal of Cleaner Production, ed. 12, 2004: 561–569. Disponível em: <http://www.sciencedirect.com/science?_ob=ArticleURL&_udi=B6VFX-4B1SK17-2&_user=5674931&_rdoc=1&_fmt=&_orig=search&_sort=d&view=c&_acct=C000049650&_version=1&_urlVersion=0&_userid=5674931&md5=76f42ad246c9176dde7cec434d116995>.Acesso em: 24 março 2009.
  
INDUSTRY AND ENVIRONMENT, Volume 26, N° 4. Paris: UNEP, 2003. Disponível em: <http://www.uneptie.org/media/review/vol26no4/IE26_4-SMEs.pdf>. Acesso em: 10 maio 2009.

LONGENECKER, J. G. [et al]. Administração de pequenas empresas. São Paulo: Thomson Learnig, 2007.

SUCHÁNEK, Z.  Environmental management systems for Small and Medium-sized organizations (SMES). DHV, 2005. Disponível em: <http://www.ihi-zittau.de/bwl/veranst/eu_1jahr/Vortrag_Suchanek.pdf>. Acesso em: 10 mar. 2009.



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quarta-feira, 30 de maio de 2012

ISO 14005 orientará pequenas empresas sobre sistema de gestão ambiental

O meio ambiente agradece
Portal MPE da ABNT publicada em 9/4/2012

Micro e pequenas empresas também causam impactos ao meio ambiente e, diante das dificuldades que muitas delas têm para adotar normas técnicas, parece mais improvável que possam implementar e manter um Sistema de Gestão Ambiental (SGA). Mas dentro de mais alguns meses elas terão ajuda nessa tarefa.

Em junho de 2012, coincidindo com a Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, deverá ser publicada a ABNT NBR ISO 14005, que oferecerá orientações para que as organizações, principalmente aquelas de pequeno porte, implementem aABNT NBR ISO 14001:2004, Sistemas da gestão ambiental - Requisitos com orientações para uso, por meio de um processo em etapas.

A Norma Internacional foi publicada pela International Organization for Standardization (ISO) no final de 2010. Com a responsabilidade de adotá-la como Norma Brasileira, em abril de 2011 a Comissão de Estudo de Sistemas de Gestão Ambiental (ABNT/CE 38:000.01), do Comitê Brasileiro de Gestão Ambiental (ABNT/CB-38), retomou suas atividades durante o evento de lançamento do Centro Sebrae de Sustentabilidade, em Cuiabá (MT). No mês seguinte, no Rio de Janeiro, iniciou efetivamente os trabalhos. 

Agora a Comissão de Estudo está na fase de revisão técnica do texto em português, como informa o coordenador José Augusto Pinto de Abreu. São mais de 80 páginas que poderão determinar novos caminhos para as organizações.

“A ISO 14005 é uma norma com diretrizes para a implantação de um Sistema de Gestão Ambiental, atendendo aos requisitos da ISO 14001. Essa implantação será feita por etapas com o propósito de facilitar a vida das organizações, em especial as pequenas e médias empresas”, reitera Abreu.

A nova norma também incluirá orientações para o uso de indicadores de desempenho ambiental, de tal forma que se possa ir medindo os resultados da implantação da SGA ao longo do tempo e a cada fase.

Na própria norma, a justificativa: "Um enfoque em fases oferece diversas vantagens. Os usuários podem prontamente avaliar como o tempo e o dinheiro postos em um SGA proporcionam um retorno. Podem ver como as melhorias ambientais ajudam a reduzir custos, melhorar suas relações com a comunidade, ajudam a demonstrar a conformidade com requisitos legais e outros, e ajudam a atender as expectativas do cliente. Podem acompanhar os benefícios do SGA enquanto implementam seu sistema passo a passo, acrescentando ou expandindo elementos à medida que agregam valor à organização. Quando o objetivo do SGA inclui atividades, produtos e serviços de toda a organização que deseja cobrir e estes estão tratados usando todos os elementos desta Norma Internacional em toda a sua extensão, a organização terá desenvolvido e implementado um sistema que cumpre os requisitos da ISO 14001.”

Apoio importante

Um contexto relaciona a previsão de lançamento da Norma Brasileira com a Rio+20. Foi durante a conferência Rio 92 que a ISO decidiu compor um grupo para discutir a normalização e o meio ambiente, o Strategic Advisory Group on Environment (Sage). O resultado do trabalho deste grupo foi a criação do ISO/TC 207, o Comitê Técnico que desenvolve as normas da Serie ISO 14000, sendo a mais recente a ISO 14005:2010, Environmental management systems -- Guidelines for the phased implementation of an environmental management system, including the use of environmental performance evaluation.

No Brasil, os trabalhos da Comissão de Estudo de Sistemas de Gestão Ambiental têm o suporte do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), por meio do convênio com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). São realizadas reuniões em várias cidades, com a participação direta de empresários de micro e pequenas organizações de diferentes setores.

“Embora a norma seja útil e aplicável a qualquer setor de atividade, assim como para qualquer porte de empresa, as MPE que integram cadeias de fornecimento do setor de petróleo e gás estão particularmente interessadas nos trabalhos da Comissão de Estudo", informa José Augusto Pinto de Abreu. 
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